Oferta pública da Saneago só é saudável se for primária e até 25%, afirma Lêda ao Jornal Opção

(reprodução de reportagem veiculada no Jornal Opção)

A deputada estadual Lêda Borges se disse preocupada com a possibilidade de a Saneago implantar a Oferta Pública Inicial (IPO, que no original é Initial Public Offering) e colocar até 49% de suas ações – IPO ocorre quando uma companhia ou empresa vai, pela primeira vez, para a Bolsa de Valores.

 

Ela explicou que a IPO é saudável para a empresa, porém a Saneago pretende fazer a oferta pública também de ações secundárias, o que ela avalia negativamente. “Existem dois tipos: primárias e secundárias. Nas primárias, todo o recurso é aplicado em saneamento (água e esgoto). Já na secundária, parte do recurso vai para o Estado, que pode destinar a qualquer fim”.

 

Conforme a parlamentar, não se sabe o que se fará com esse recurso, que deveria ser investido integralmente em saneamento. “É sinal de que o governo quer desviar o recurso do objetivo principal”.

 

Saudável

Lêda explica que o IPO é saudável. Ela diz que o governo passado tinha o interesse de fazer, mas de forma primária. “São Paulo fez esse processo [primário] e deu muito certo, o que era a intenção da gestão anterior”.

 

Ela explica, também, que na administração passada o limite de venda de ações seria 25%, a fim de não gerar quaisquer riscos. “Agora falam em 49%, o que gera um risco alto da perda do controle da empresa por parte do Estado”.

 

A parlamentar diz que por 1% corre o risco de já ser uma das medidas de entrada no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). E sobre isso, ela afirma esperar “ter um grande debate na Assembleia”. Por isso, em resumo, a deputada diz que sua defesa é de, no máximo, 25% das vendas de ações e que a oferta seja primária e não secundária.

 

Saneago

Em nota, a Saneago informou que, mesmo com a venda no limite dos 49%, o Estado de Goiás continua tendo o controle e gestão da companhia, ou seja, continuaria estatal. “Por isso que a abertura de capital não é privatização”.

 

“Quanto aos preparativos para a venda de ações, existem vários critérios para serem seguidos, conforme determina a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Diretoria Financeira e de Relacionamento com o Investidor da Saneago explica que a empresa está na fase inicial do processo”.

 

Em relação a consumidor, a empresa diz que o impacto é positivo, “com aplicação dos recursos advindos da abertura de capital para serem utilizados em mais investimentos em busca da universalização do saneamento, além de buscar cada vez mais eficiência e, com isso, modicidade tarifária, ou seja, tarifa cada vez mais justa para o cliente”.

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